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O DipoloElétrico de uma Separação

  • Foto do escritor: Claudio Favoretto
    Claudio Favoretto
  • 26 de jul.
  • 2 min de leitura

Em 2015, atravessei um momento muito delicado em minha vida (e na vida dela): a separação de minha esposa. Como uma forma de processar, compreender e aceitar aquele instante, recorri à arte e à ciência, criando a fotopoesia que compartilho hoje com vocês: "A Separação".

Nesta obra, utilizei o conceito de dipolo elétrico como uma metáfora visual para os sentimentos humanos. Quando olhamos para a imagem, vemos um fundo azul profundo. Ele não está ali por acaso; ele representa, para nós, o espaço de conexão interrompido, o vácuo onde antes habitava a nossa união.

No centro dessa vastidão, temos duas cargas elétricas: Q₁ (o meu coração) e Q₂ (o dela). Como em um dipolo real, cargas opostas criam um campo de força entre si. As linhas de campo elétrico que saem de um coração e entram no outro, desenhadas em laranja, representam a simetria de nossas emoções. Cada linha carrega um verso, um fragmento da nossa história que construímos e desconstruímos. As frases acompanham a curvatura das linhas de força, espelhando-se tanto na parte superior quanto na inferior, mostrando que a dor, o medo, o respeito e a transformação são sentidos por ambos, de formas complementares.

Porém, o elemento mais contundente desta composição é a linha reta que une diretamente as duas cargas. Ela é o caminho mais curto, o eixo central do dipolo, o sentimento principal e inquebrável que permanece mesmo quando as outras forças se dissipam pelo espaço. Nela, repousa a frase que tocou minha alma naquele momento.

A física nos ensina que cargas elétricas próximas produzem entre si um campo elétrico que pode ser representado por linhas de campo. A poesia, da mesma forma, transmuta a dor da ruptura em arte.

Esta fotopoesia é o registro de que, mesmo quando a atração cessa e as cargas se afastam, o campo que um dia existiu deixa uma marca indelével no espaço-tempo de nosso universo emocional. Leva-se o efeito, mas as causas, pelas linhas da vida, permanecem.


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